A proposta de ação de uma linha intraportuária gerou uma ferramenta metodológica a qual chamamos de Círculos de Diálogo. Esse consiste na reunião dos diferentes setores que compõem o Porto Público do Rio Grande para uma conversa que visa à resolução e melhora qualitativa de demandas existentes no ambiente portuário.

As demandas são apresentadas pelos próprios participantes – em geral responsáveis de setores – que podem expor suas críticas, dúvidas e sugestões para algum problema específico. Em cada um desses círculos de diálogo a equipe ProEA se prepara previamente, elaborando um plano de ação para o referido encontro.

Com isso, a reunião começa antes de qualquer data que esteja estabelecida como presencial, pois está na formação contínua da equipe – promovendo a apropriação ou criação de metodologias – e na preocupação diária com a organização do encontro um diferencial. Através do diálogo interno na elaboração de um “plano de reunião”, o dia de cada círculo se transforma na prática dessa reflexão anterior.

Porém, após cada reunião o levantamento crítico é realizado pela equipe. Entra em cena a nova reflexão, agora após a ação. Com a avaliação, apresentando os pontos positivos e negativos de cada participante, conseguimos criar parâmetros qualitativos e perceber possíveis avanços ou retrocessos nesse caminho que é sempre construído à passos cautelosos, mas contínuos.

No primeiro Círculo de Diálogo estiveram presentes cinco setores que compõe o Porto Público do Rio Grande (Guarda, Patrimônio, Cargas Perigosas, Oficina e Exportação), todos responsáveis por seus respectivos responsáveis. A reunião foi coordenada pelo professor José Vicente, o qual realizou uma fala sobre a importância da demanda ambiental para a licença de operação portuária.

No segundo encontro, também sob a coordenação geral do professor José Vicente, a presença de representantes setoriais foi diminuta, porém consistente na elaboração e levantamento de um primeiro conjunto de demandas. Através da metodologia chamada de “Porto Ideal” – baseada em metodologia já existente e chamada de “Árvore dos Sonhos” – o professor contou com a participação de todos para elencar as seguintes questões:

A)     O que é um porto ideal?

B)      Problemas

C)      Soluções

Essa metodologia consiste na participação direta de cada sujeito ali presente, pois ela visa que os sujeitos elenquem essas questões em tarjetas, que logo passam por uma exposição e fixação junto ao quadro que passa a ser montado na parede. Assim, todos possuem o momento da fala, da possibilidade de apresentar suas demandas, ou aquilo que entendem enquanto uma demanda a ser resolvida para alcançar um salto qualitativo junto ao trabalho portuário.

É importante frisar que, após a elaboração desse painel, é preciso elencar um primeiro problema a ser resolvido – de preferência um problema que possua solução de forma mais imediata, palpável, visto que isso gera a visibilidade e a motivação para passos maiores.

No terceiro encontro dos Círculos de Diálogo o público voltou a ser grande, incluindo a participação de setores que antes nunca haviam comparecido – o que cria uma motivação ainda maior na equipe.

Pela primeira vez esse encontro não seria coordenado pelo professor José Vicente, mas sim pela própria equipe ProEA, sob a supervisão de Luciana. Assim, a preparação foi intensa, para suprir qualquer tipo de imprevisto na primeira ação efetiva da equipe na construção de um canal de diálogo direto e tão importante como é esse que está se constituindo.

Um grupo ficou encarregado de propor um plano e organização de atividades (Giovana, Desirée e Felipe). Criaram, assim, uma metodologia que constituiu-se por:

A)     Dinâmica Teia dos Setores. Essa é baseada na dinâmica comumente chamada de Teia da Vida, que se constitui na apresentação inicial de cada um dos indivíduos presentes e posterior “passada” de novelo para que assim se forje uma teia propriamente dita. Nesse caso, foi pensada uma Teia de Setores, no qual cada um não apresentava a si mesmo, mas sim apresentava o setor do sujeito ao qual ele fosse repassar o novelo. Informando quem era o chefe desse setor e o que ele exercia enquanto atividade diária. Com isso, visamos não só a acolhida, mas também um parâmetro no qual poderíamos nos basear para perceber o grau de envolvimento deles com cada distinto setor que compõe o Porto Público.

B)     A segunda dinâmica chamamos de “Sonhos”. Essa consistiu em deixar dentro de um saco plástico duas letras de músicas: “Sonho que se sonha só é só um sonho, sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Seixas); “Os castelos nascem dos sonhos pra no real achar seu lugar” (O. Montenegro).  Cada um dos participantes, já sentados, deveriam retirar os papéis de dentro do saco, formando dois grupos, e deveriam explicitar o que “entenderam” da proposta da letra, como essas letras se aplicavam à jornada diária deles e a possibilidade de resolver demandas.

C)   O terceiro passo constitui numa retomada da atividade do Porto Ideal, aproveitando que havia um público maior e a chance de encaminhar uma demanda passível de resolução.

O saldo, não há dúvida, foi positivo. A participação foi constante, a empolgação foi perceptível em todos os segmentos ali presentes. E claro, a equipe ProEA, após um longo trabalho de preparação, acreditou ter realizado um bom trabalho.

Por fim, foi realizada a atividade de avaliação do terceiro círculo, o qual todos consideraram positivo, porém um item precisa ser melhorado: a questão do tempo. Ficou claro a necessidade de estabelecer um teto, visto que o encaminhamento final teve que ser feito às pressas.

Luiz, representante da guarda

Luciana
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