zoom_496604f780289Desde o século XIX a cidade do Rio Grande queria tornar seguro o seu porto marítimo, pois seu canal de acesso portuário era conhecido nacionalmente como a “Boca do Diabo”. A transformação aconteceria somente em 1915, quando a Compagne Française dês Ouvres du Port de Rio Grande do Sul encerrou uma das maiores obras de engenharia do século passado: os Molhes da Barra.

Constituídos de dois braços de pedras com mais de 2 Km – Molhe Leste e Molhe Oeste – os molhes vão mar a dentro, sendo incorporados à paisagem da cidade do Rio Grande desde então.

Nesse contexto surge a Vila da Barra, sediada na base do Molhe Oeste, a qual se constituía, basicamente, de trabalhadores envolvidos na obra. Durante a construção os trabalhadores eram transportados até o limite das pedras em um tipo de veículo adaptado ao local, chamado de vagoneta.

Construção dos Molhes da Barra
Construção dos Molhes da Barra

Após a conclusão da obra, adaptaram às vagonetas velas de embarcações, tradicionais para deslocar-se com a força dos ventos. Assim surgiu a atividade do vagoneteiro, que fez desse procedimento uma atividade turística, a qual levava os sujeitos mar a dentro em uma tecnologia criada para lógica do trabalho, mas que com o tempo foi reapropriada ao ponto de ser considerada uma das atividades turísticas mais tradicionais da cidade.

É diante da grandeza da própria história dessa atividade que o ProEA, no ano de 2013, integra a comissão de criação, desenvolvimento e fiscalização do Plano Turístico dos Molhes da Barra, juntamente com o Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA) e a Superintendência do Porto do Rio Grande (SUPRG).

max1223468677Passeio_Vagonetas2___Eduardo_BerskO objetivo de tal Plano visa não só trazer a tona essa atividade histórica, mas também promover um processo formativo continuado referente à sustentabilidade dessa prática, como também agenciar formações que levem em consideração a destinação adequada dos resíduos no ambiente de praia em que estão inseridos.

Para o sucesso desse plano foi fundamental levar a cabo uma estratégia, a qual levou em consideração metas de curto, médio e longo prazo. Nesse sentido, o primeiro passo se constituiu na criação de um grupo de trabalho responsável pelo Plano, o qual teve segmento na realização de um cadastro dos vagoneteiros a partir de um ordenamento que se preocupou em elaborar padrões e procedimentos para os interessados em qualificar tal atividade.

Tudo isso perpassado por reuniões com os vagoneteiros, os quais avaliaram e colaboraram diretamente na formatação final do Plano Turístico. Após o plano acabado, e o cadastro dos vagoneteiros realizado, o passo seguinte foi a elaboração de um mutirão de limpeza nos Molhes da Barra.

Paralelo a isso, atividades de comunicação social – elaboração de folders, placas, vestuário padronizado, mídias – foram efetuadas, todas destacando a própria atividade do vagoneiteiro na cidade do Rio Grande, bem como promovendo a data de abertura da temporada das vagonetas no ano de 2013.

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Superintendente da SUPRG

Por fim, no último dia 09 de fevereiro, no Molhe Oeste, houve o lançamento do Plano Turístico – que contou com a participação do Superintendente do Porto do Rio Grande, autoridades municipais e da equipe ProEA. O horizonte é de atividades continuadas com o grupo de trabalhadores do molhe, homens e mulheres que se inscrevem na história da cidade ao levar adiante um patrimônio turístico da cidade do Rio Grande.

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